Elói Silveira, 28 anos, é sub-editor do Tenisbrasil e jornalista especializado em tênis desde 2000. Mora em Paris desde 2007 e cobre o tênis europeu de perto.


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Com Federer, nada é simples. E as apostas para 2030 já começaram.

Em uma semana de paz no circuito, sem presenças de top 10 e apenas com a Safina quebrando a rotina no feminino, coube mais uma vez ao Federer as honras de ganhar as principais manchetes mundo afora. Depois da gravidez do ano, do casamento do ano, aconteceu nesta quinta-feira o parto do ano. Em Zurique, a Mirka deu à luz gêmeas. Duas de uma só vez. Provando que para o Federer nada pode ser simples.

E seguindo a moda atual de “furos jornalísticos”, ele mesmo postou a notícia no Facebook (o Twitter ficou com inveja) e cerca de uma hora depois já tinha recebido uma avalanche de mensagens de parabéns. Nas principais agências de notícias, o dia foi apenas de informações básicas e fotos do lado de fora da maternidade (viva os paparazzi!). O Federer, como poucas estrelas do mundo people, deu um banho nos jornalistas e conseguiu guardar o segredo a sete chaves.

Enquanto o mundo tentava descobrir o sexo do bebê em Roland Garros e Wimbledon e apostava em um menino (se não me engano, ele soltou um “He” ao falar do bebê uma vez em entrevista), ele trouxe logo duas meninas: Charlene Riva e Myla Rose. Uma dupla que com um dia de vida já foi destaque nas casas de apostas britânicas.

Só lá mesmo para se apostar em algo em 2030. Mas o fato é que a Williams Hill abriu o dia pagando 333 para cada libra apostada num possível título das irmãs Federer em Wimbledon antes do 25º aniversário. E elas não pararam por aí. Estavam em 100 para uma libra apostada de que ambas ganhariam um dia um Grand Slam e de 250 para uma que ambas triunfariam em Wimbledon. Haja especulação.

E como disse um amigo, “Eles apostam, mas imaginem se elas decidem virar dentistas”. Nos jornais da Suíça, claro que o fato ganhou as manchetes (na parte da tarde o Tour de France estava lá no alto). O Blick, famoso por suas matérias irônicas, por enquanto não conseguiu ir muito longe do básico. Mas trouxe um texto com especialista em bebês para dar dicas ao campeão. E outro sonhando com títulos das irmãs Federer na Federation Cup, para que a Suíça mantivesse a hegemonia por anos e anos no tênis.

O Le Matin, do lado francês, também não conseguiu fugir do depoimento do Facebook, mas trouxe uma análise que remete ao meu post anterior, se ele estará presente no Masters 1000 de Montreal. Eles falam: “No plano esportivo, esse nascimento cai em bom momento para ele. O número 1 não deve voltar às competições tão cedo. Ele tem poucos pontos a defender no Canadá e depois em Cincinnati (160 contra 1450 de Nadal) e poderia prolongar sua ‘licença-maternidade’ até o dia 31 de agosto, no início do US Open”.

Mais apostas no ar. Será que ele a Mirka estarão em Montreal ou Cincinnati já com os bebês? Será que essa maternidade vai abalar o grande campeão? Será que os paparazzi vão conseguir neste final de semana tirar a tal foto sonhada das meninas? Não é fácil ser estrela hoje em dia.
 

por Eloi às 15h59
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Federer estará em Montreal? O bebê decidirá.

Enquanto descansa, recebe homenagens e curte os feitos incríveis das últimas semanas, Federer se prepara agora para dar outro passo em sua vida pessoal. Depois do casamento, a grande expectativa é para a chegada do primeiro filho (menino ou menina?) com Mirka. Os mais próximos dizem que ele deve nascer entre o final de julho e o início de agosto. Há apostas até para que seja no dia 8, no mesmo dia em que o papai completa 28 anos.

Outros que estão ansiosos são os organizadores do Masters 1000 de Montreal. Segundo informaram, a presença do número 1 está ligada diretamente ao nascimento do filho. A conta seria simples: se ele vier antes do dia 31, restariam chances. Depois dessa data, dificilmente Federer deixaria a Suíça. De qualquer forma, a frase de um responsável do evento canadense resume o caso: “Aqui, ninguém acredita muito que ele venha”.

E se não for, está mais que certo. Federer não defende quase nada de pontos, já fez quase tudo o que precisava em termos de recordes e objetivos pessoais e só terá de se preocupar novamente entre o final de agosto, início de setembro. Hora de aproveitar esse momento único na vida.

Sem ele, Montreal teria então um novo principal favorito: Nadal, atual campeão e que sacramentou sua ascensão ao topo exatamente nesta série na América do Norte. Mesmo que tenha voltado aos treinos apenas na segunda e que siga cauteloso para o restante da temporada, o espanhol é a estrela ideal para suprir essa possível lacuna do suíço.

Na França, o momento é de felicidade e espera. Alegria pelo primeiro título do Chardy, domingo em Stuttgart. O tenista é visto como boa esperança de um país que está cansado de ter o Simon como número 1. Do site “We Love Tennis” vem as palavras: “Chardy deu um grande passo em sua carreira. Campeão juvenil de Wimbledon em 2005, a esperança se tornou promessa e vem construindo uma ascensão sólida, degrau a degrau (...) Ele já havia perdido a final de Johanesburgo para o Tsonga, mas se tornou o segundo tenista do país a escrever seu nome na lista de campeões do ano”.

Já a apreensão segue por conta do caso Gasquet. Na semana passada, O L’Équipe reservou uma página para falar da curta pena de 2 meses e meio, mas fez questão de não se empolgar. Sempre trazendo ao lado que a Agencia Mundial Antidoping deveria apelar e tentar reverter a primeira decisão. Nesta segunda, com o contra-ataque da “beijoqueira” Pamela, que o teria “contaminado” após consumir a droga, o jogador volta a ter dores de cabeça.

A situação é simples: um dia depois que teve seu caso confirmado, Gasquet já havia preparado parte da sua defesa, ido atrás da Pamela para tentar averiguar os fatos e preparado seu exame capilar de DNA para provar que não é um consumidor regular. Mas ao enfim pedir à policia que investigasse as pessoas envolvidas na tal festa de Miami, ele se expôs totalmente. Agora, mesmo que tenha recebido uma quase “absolvição” da ITF, pode enfrentar processos na Justiça Comum, ter que se explicar em tribunais e ter meses e meses de problemas pela frente. 

Por aqui, uma coisa é fato: ninguém ainda se convenceu definitivamente que o Gasquet é totalmente inocente. E que ele voltará realmente a ser um top como diz que ainda sonha. 

por Eloi às 12h07
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Murray não gostou do teto. E os jornais também criticaram.

O dia histórico em Wimbledon rendeu diversas histórias nos jornais britânicos. Estavam todos esperando ansiosamente por esse momento, depois do investimento de R$ 250 milhões feito pela organização. E se na hora do fechamento quem estava na quadra eram Safina e Mauresmo, coube a Murray, o herói local, a honra de jogar a primeira partida completa com o teto coberto. E mais: de fazer a primeira partida noturna no All England Club.

Motivo de festa, claro. Mas não muito para o xodó local. Por incrível que pareça, ele não gostou de ter jogado “indoor”, sendo que tinha treinado no “outdoor”. Reclamou de a organização não ter avisado os jogadores com antecedência e, pior, falou que estava um calor infernal ao final da partida. Será que o ar-condicionado não funcionou?

A frase marcante foi destacada pelo blog do The Guardian, que ainda trouxe outros comentários interessantes de quem estava lá dentro. “No final, estava quente, úmido e com muito barulho. Murray disse que parecia ter saído de uma sauna (...) No dia da estreia, o teto foi usado numa exibição tranquila. O que eles não pareciam ter previsto era o uso num encontro épico de quatro horas, com o ídolo local em frente a 15 mil pessoas e em um dos dias mais quentes do ano”.

E segue: “Antes do torneio, os oficiais tentaram nos convencer que assim que as sofisticadas luzes e o ar condicionado entrassem em ação a atmosfera de um dia de verão seria reproduzida. Assim que o teto se fechou, rapidamente percebemos que isso era nonsense. Como o Murray indicou depois, foi flagrante ver que a bola quicou de forma diferente, que os jogadores estavam diferentes e que o público estava diferente”.

Aliás, em relação ao público, o texto se encerra de forma irônica: “Na hora em que o Murray caiu de joelhos, seis horas depois de o teto ser fechado, o barulho era ensurdecedor e ecoava em todos os cantos. Os gritos de ‘Vamos, Murray’ foram substituídos por outros de torcedores de futebol. A atmosfera estava estranha, mas como alguns australianos disseram, como a de outros torneios mundo afora, onde os fãs apóiam seus ídolos locais”.

É a Murray-mania quebrando qualquer tradição de Wimbledon. E levando o jornalista Neil Harman, um dos mais conceituados do país, escrever no The Times. “Não se preocupem com o susto à La Henman. Ele tem a força para ser campeão”. Aliás, detalhe curioso: o Harman é tão “pop” entre os jornalistas que ele ao invés de escrever, é entrevistado. E provavelmente algum estagiário é que redige o texto final. Isso é que prestígio.

Ainda em relação à “febre”, a esperança de ver o Murray na final segue tão alta que os organizadores já estão planejando o que fazer para o domingo. E aparentemente, a nova e bela quadra 2 deve ser aberta para o público acompanhar num grande telão. Como fizeram em Roland Garros, na quadra 1. Em relação à gripe suína, o aviso foi passado a todos os jogadores e os cuidados foram oficialmente colocados em prática. A alegação: “Estas precauções foram tomadas por escolas, pela comunidade. Seria estranho se não fizéssemos nada”.

O aviso aos jogadores termina assim: “Felizmente nosso sistema imunitário é forte e precisamos ajudá-lo. Continuem tomando vitaminas C e jogando”. Federer, representante oficial dos jogadores, gostou da medida. “Claro que não são boas notícias, principalmente para os jogadores que viajam o mundo inteiro. Mas estou certo que Wimbledon está fazendo o melhor possível para nos proteger”.

O outro lado da moeda
Enquanto isso, mais notícias ruins para o lado do Nadal. Além de ele ter pedido para não ser incluído no time da Davis, outro especialista prevê um final ruim para o número 1. Assim como o Darren Cahill, um texto publicado no The Observer e espalhado pela internet, traz a opinião do especialista Sean Corvin, que fala sobre a possibilidade de ele ter de desacelerar ou até abandonar o esporte em breve. Outra especulação infundada ou previsão corajosa?

por Eloi às 15h21
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Imprensa britânica enfim tem o ídolo que merece. Murray nas manchetes!

 

Depois da Suíça, da Espanha e até da Sérvia, é a vez da Grã-Bretanha ter seu momento de destaque no tênis. A imprensa está feliz, trabalhando como nunca. E incentivando como nunca o maior ídolo do momento. É a Murray-mania invadindo o All England Club. Assim, dar uma navegada pelos jornais britânicos é encontrar um mar de informações sobre ele e sobre o torneio.

No Times, um correspondente não quer saber de imparcialidade, e abre seu blog fazendo uma comparação engraçadinha com o James Bond: Andy Murray 009, não exatamente como James Bond (009 é para o ano que ele vai ganhar Wimbledon, vocês estão lendo pela primeira vez aqui), atacou de espião nesta quinta, logo após ganhar do Gulbis”, diz Kevin Eason, passando às explicações.

“Logo após a entrevista coletiva, ele foi à quadra 14 para para dar uma olhada no jogo do Viktor Troicki, seu próximo adversário, que queria encerrar a disputa e voltar no dia seguinte por causa da falta de luz. Mas ele ficou feliz por que acabou ganhando. Murray, no entanto, pôde ver alguns lances bizarros numa batakha de cinco sets. Com sorte, posso dizer que esse jogo do sábado já está definido”.

 Em outras citações de agencias, que circularam por alguns sites como Yahoo e Eurosport, a mania passava inclusive pela ideia de mudar o nome do tradicional Henman Hill para Murray Hill, mas que ela não vingaria tão cedo. O número 3 ainda teria recebido apoio da Rainha, participado de inúmeras entrevistas em televisões e até brincado de jogar críquete logo após a primeira vitória. E o que falar das multidões que o cercam a cada vez que ele se aventura nos treinos?

Os comentários ainda são exaltados em geral, falando sobre a possibilidade de ele “Triunfar onde o Henman não conseguiu” e de sua atuação “A-Superstar” contra Gulbis. E com tanta gente trabalhando e procurando coisas diferentes, há espaço para interesse se ele já havia tirado a carta de motorista (não, ele começará a ter aulas logo após Wimbledon) e em seu blog-Twitter, que aliás mereceu uma matéria do Times.

Nela, o próprio tenista posta suas primeiras informações do dia às 22h30 desta quinta-feira, com, digamos, algo nada importante. “Vou dar nomes aos snacks que a gente conhece com os de tenistas. Lleyton Chewitt, James Flake, Boris Doubledecker, Dorito Starace...Juan Martin Del Popcorn, Vania Kingsize Mars Bar, Novak Yorkie-ovic, John MacEnrolo, cod Woodbridge, Mardy Fishcakes, Prawn Borg, Egg Rusedski...tudo muito bom”. E o comentário debochado do Times: “Depois de uma vitória em 90 minutos, não muito mais a pensar para um garoto de 21 anos”.

O que se fala também é da fase terrível do tênis britânico em geral. De novo só resta o Murray, o que ele mesmo comentou com desprezo, sinal de que não aguenta mais carregar nas costas o esporte no país: “Temos um abismo de diferença e os nossos tenistas não têm a experiência ideal para momentos assim. Quando a pressão sobe, eles acabam perdendo. Mas quero focar no meu tênis e parar de falar um pouco sobre isso”. A ideia de um dos jornalistas então seria de chamar o Hewitt para treinar os jogadores, para mostrar o que seria “comprometimento e raça”.

As musas..
O que estão falando também são das novas musas do circuito. A grande novidades foi a Dulko, que deu show de estilo contra a Sharapova. Ganhou até a preferência do público e se enrolou ao responder sobre o fato de ser sexy. Mas lembrou: “Sempre falei que sou também uma mulher antes mesmo de ser tenista”.

E as pegadoras famosas...
A pegadora de bola Chloe Chambers, de 15 anos, ficou famosa após jogar um pouco com o Haas na partida em que Llodra atropelou outra pegadora. E ela deu até entrevista, virou estrela por um dia. Já Erin Lorencin, a que foi atropelada, não gostou tanto da fama: “Ainda bem que meus amigos estão viajando. Fiquei tão envergonhada na hora”. Mas ganhou um abraço do Llodra.
 

 

por Eloi às 11h37
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Nadal sofre e a Espanha acompanha de perto. Os tenistas lamentam.

Para a imprensa espanhola que reservou tudo com antecedência em Londres, na esperança de sair mais uma vez apenas no último dia, com histórias positivas, a viagem deste ano ficou no prejuízo. E para ao menos justificar o investimento, alguns grandes jornais não se deram por satisfeito em cobrir o sucesso de Federer, Murray, Del Potro ou das Williams. Foram lá investigar a fundo o caso da lesão do maior tenista da atualidade.

Foi o caso do El Mundo Deportivo, que trouxe nesta segunda-feira uma boa matéria com repercussão com jogadores do país. Em “Inquietude por Rafael Nadal”, alguns dos companheiros do número 1 lamentam sua ausência e apontam certa tristeza ao falar sobre o futuro do amigo. Foi o caso do controverso Almagro.

“Veio no pior momento. Já não o permitiu jogar bem em Roland Garros e agora ele perde Wimbledon, seu torneio favorito. O calendário está muito carregado e todo corpo tem seus limites. É uma desgraça para o tênis espanhol e mundial”, profetizou. Feliciano Lopez não ficou atrás. “Como amigo, me dá pena. Um jogador de sua categoria não vem para um torneio como esse para ganhar um, dois jogos”, apontou, passando a bola a Verdasco. “Sei que está sofrendo agora e preferia vê-lo aqui, mesmo sendo um rival na quadra. Mas ele voltará mais forte”.

A matéria segue em outro tom, passando ao lado mental do número 1, que estaria bem atingido. “Ele precisa limpar a cabeça. Mentalmente ele foi bastante afetado. O ponto mais importante agora é esse, nem o físico”, disse um treinador que não se revelou. Outro se perguntou: “Será que é apenas o joelho? Tomara que seja mais uma questão de cabeça. Mas tenho certeza que voltará forte. Ele tem apenas 23 anos”. 

No texto, o encerramento mostra o quanto o tema vem sendo discutido mesmo em Wimbledon e o quanto a imprensa espanhola está em situação delicada: “O debate esquenta, ainda que, por respeito ao campeão, apenas em nível interno”.

Outro que circulou na semana veio do agora comentarista da ESPN Darren Cahill. O treinador do Verdasco e ex-do Agassi contou ao vivo, na transmissão de ontem de Wimbledon, que o problema que o Nadal sofre foi o mesmo que abreviou sua própria carreira. E notem que o Cahill conquistou dois títulos e foi quase um top 20 no final dos anos 80. Ele encerrou exatamente com a mesma lesão no joelho, uma tendinite no tendão patelar do joelho.

Algumas de suas frases são de assustar. “Cada tenista sente de uma forma. Mas esta lesão encerrou minha carreira. Tive por três anos e tentei de tudo. Passei três anos colocando gelo duas vezes por dia e vivendo à base de antiinflamatórios. E isso te desgasta mentalmente (olha a palavra-chave de novo!) Eu acordava e não sabia em que situação meu joelho estaria”.

“E algumas coisas da entrevista do Rafa me fizeram lembrar do que passei. Ele estava cansado e arrasado mentalmente. Como eu. (...) Em um momento falei ao meu técnico: ‘Se quiser ter chance de ir ao top 10, preciso consertar isso’. Mas ao final de três anos eu resolvi operar. E foi então o fim. (...) Alguns podem simplesmente passar por cima disso, como foi com a Martina Navratilova. Espero que aconteça o mesmo com o Rafa. Esta lesão é um pesadelo”.

E o fim, bastante trágico. “Quatro semanas antes da cirurgia eu estava jogando bem, ganhei um torneio em São Francisco. Estava tão cansado dos antiinflamatórios e do gelo que me dei como prêmio um dia sem eles. No dia seguinte eu chorava de dor por causa das dores no joelho. Foi o único dia em que não tomei antiinflamatórios. Eu até poderia ter seguido, mas estava no fundo do poço. Não aguentava mais”.

Resta a torcida que o corpo do Nadal agüente. E que, como sigo esperando, esse comprometimento vitalício sejam apenas boatos.

por Eloi às 15h05
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Federer no automático (quem diria!). Sharapova tropeçando.

Lá por meados de abril, Nadal passeava pelas primeiras rodadas de Barcelona e a imprensa espanhola nem perdia o tempo com criatividade. Era a rotina de uma vitória de primeira rodada no saibro. Agora, foi a vez do Federer. Quem diria! Ele mesmo que tanto sofreu com as críticas, agora ganha o direito de ter sua primeira rodada “menosprezada”. É a rotina da grama chegando.

Pela fase boa, pelos títulos que já conquistou em Londres e pelo placar contra o bom, mas nada ameaçador Lu, pouco foi falado sobre o triunfo. Na entrevista, com a iminência da falta de assunto, os jornalistas chegaram a inclusive a abordar o tema. Tratado desta forma por ele: “Acho que tenho o respeito que mereço. Espero que eles saibam o quão difícil é jogar essas partidas. Talvez tenha tido um tempo, em 2006, 2007, que as pessoas achavam que tudo era fácil. Mas não é não”.

Nos jornais suíços, pouca inspiração também. No sempre polêmico Blick, um texto de quatro parágrafos, sem muitos adjetivos, bem basicão. No Le Matin Online, bom espaço, manchete do site, mas atenção entre os internautas para outro texto, ainda se referindo a Roland Garros. No mesmo site, uma matéria curiosa, falando sobre a rivalidade entre ele e o Murray chamou a atenção. “Os dois favoritos não se gostam”. Vamos a ele.

“Murray, Federer, dois homens por um título. Dois homens que não se apreciam. Mesmo se eles tentam esconder isso. Ambos têm personalidade forte. Na quadra, o escocês está em vantagem de 6 a 2, mas eles nunca se enfrentaram na grama, onde Federer é praticamente intocável. Murray e Federer, adversários na quadra e também fora delas, têm chance única de acertar as contas em Wimbledon”. E minha pergunta: são tão escancaradas assim as divergências entre eles? Públicos foram os comentários do Federer “minimizando” as derrotas e o estilo do carrasco, mas nos bastidores desconheço tal sentimento.

Sharapova tropeçando

Não foi nada mal. Ela ganhou. E ainda sem brilhar como antes, ainda com todas as dúvidas sobre a lesão no ombro, Sharapova pelo menos passou de fase em Wimbledon e vem mostrando bastante garra. Na estreia, ela literalmente tropeçou, caiu e, quem diria, resmungou e reclamou com a “sagrada” grama de Wimbledon. Ela mesmo onde brilhou em 2004.

Vejam o que ela falou: “A grama estava meio escorregadia, muito mais alta que em outras quadras e porque era o primeiro jogo. E também não está mais tão rápida como antes, quando venci aqui por exemplo”. A matéria mereceu destaque no The Guardian, que lembrou ainda do esforço da tenista para voltar à forma antiga. “Ainda bem que sempre gostei de fazer exercícios e ginástica”, disse ela. E a imprensa e os torcedores seguem ansiosos para que ela ganhe aquele jogaço, que volte logo a ser uma top 10. E nem a cabeça 24 com ajuda que ainda é hoje.

por Eloi às 15h39
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E agora Nadal? A Espanha se desespera e os ingleses fazem barulho

Até meados de maio, tudo corria a mil maravilhas para Nadal no saibro. Vitórias em três semanas seguidas, pentacampeonatos e apostas altas de que mais uma vez a temporada de saibro seria uma barbada. Em Madri, porém, veio o primeiro susto com a derrota para o Federer na final. Em Roland Garros atuações sem tempero e queda inesperada nas oitavas. Aos jornalistas, nada de declarações bombásticas, nada de desculpas. Apenas palmas para o carrasco Soderling.

Dias depois, durante a segunda semana de Roland Garros, a notícia de que ele não jogaria Queen's por causa das velhas dores no joelho explicavam em parte a surpreendente eliminação. Os dias passaram, novos exames foram feitos e mais notícias ruins. A lesão passou a transformar os dias seguintes em corrida contra o tempo para chegar a Wimbledon em forma. Sem querer jogar a toalha, ele viajou a Londres - com sua caixinha de medicamentos a tira-colo - e resolveu treinar.

Na terça-feira, um leve reconhecimento da grama. Na quarta, três horas ("sem pegar pesado", como ele mesmo disse em seu site) e bate-bola com o Murray. Na quinta, o primeiro teste real e novas decepções: derrota para Hewitt, volta das dores e, segundo quem viu, movimentação bem abaixo do normal. O tio Toni deu o tom do drama: "Será difícil ele jogar Wimbledon. Se fosse eu, voltaria a Mallorca".

Nas agências de notícias, as primeiras repercussões. "Donos da casa", sites britânicos como Bloomberg, The Guardian e Independent foram os primeiros a trazer as notícias do Hurlingham Club. E falavam exatamente sobre a fraca atuação e reproduziam as poucas palavras colhidas do tio. Do Nadal, nada. Nenhuma declaração. Sabe-se que ele jogará na sexta contra o Wawrinka e tomará a decisão.

Na Espanha, talvez por alarme - ou choque - o quarteto dos grandes jornais (Marca, As, El País e El Mundo) não quis saber de pressa na atualização. Cerca de 2h depois do fim da partida e das primeiras notícias vindo da Inglaterra, nada de informação a respeito. Extrema precaução. Já as agências de notícia do país à la Yahoo e Eurosport não minimizaram. "Ultimato para Nadal", dizia o segundo, ressaltando que "a derrota e as más sensações mostradas aumentavam ainda mais suas dúvidas para Wimbledon".

Ainda nos jornais ingleses, muitas notícias sobre Murray e suas incríveis chances neste ano de encerrar um tabu de 73 anos no All England Club. E mais: houve quem comemorasse a má forma do Nadal e até rogasse praga, falando que sua "carreira estaria seriamente ameaçada por esses problemas no joelho". Por enquanto, me posiciono totalmente contra qualquer coisa que não seja confirmada. Para mim, precipitação, apesar de também temer bastante pelo que pode acontecer mais para frente.

Enquanto isso, na paz de Federer...
A situação está mesmo invertida em relação há algumas semanas. Enquanto Nadal sofre e é cercado de incertezas, Federer está de paz com a vida. Depois de dizer e redizer que se sente favorito, ele permitiu que seu site oficial - porque certamente ele tem controle do que se passa por lá - desse na "manchete" uma pesquisa para saber quem era o maior tenista de todos os tempos em Wimbledon, em eleição feita no site oficial do Grand Slam.

Entre os homens, as opções são fáceis e, claro, ele aparece por lá. Os concorrentes são Bjorn Borg, Pete Sampras, Rod Laver e John McEnroe. Entre as mulheres, aparecem Martina Navratilova (que barbada), Steffi Graf, Billie Jean King, Venus Williams e Suzanne Lenglen. Para votar, acessem o site de Wimbledon diretamente.

por Eloi às 16h35
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Tudo o que você sempre quis saber sobre Roger Federer e tinha medo de perguntar

O show da imprensa suíça após o título do Federer em Roland Garros durou mais do que o previsto. Enquanto nos dias seguintes, ainda em Paris, eles tinham acesso especial ao campeão, já em "casa" o Basler Zeitung, da Basileia, conseguia uma entrevista exclusiva e longa com ele. Foram nada menos que 55 perguntas, reproduzidas em fóruns, e que eu trago aqui de forma integral. Tamanho o valor desse bate-papo.

1 - Roger, como se sente após duas semanas jogando na terra e no pó?
RF - Estou acostumado. O saibro não entra mais nos meus olhos. As meias ficam vermelhas. Na grama e no piso sintético é melhor porque essas coisas não acontecem.

2 - Qual foi a primeira coisa que passou pela cabeça no match-point em Paris?
RF - Foi algo simples. Eu criei isso. Foi uma das mais importantes vitórias da minha carreira. Foi um peso que tirei das costas. Claro que a primeira vitória em Wimbledon ainda é mais importante para mim, porque abriu tudo que tenho agora. Ela me tornou popular, me deu uma confiança incrível, foi um sonho de infância realizado. Meus ídolos não ganharam em Paris. Então Roland Garros é diferente. Mas esta vitória foi algo imenso.

3 - Você já pensou em dinheiro alguma vez durante uma partida?
RF - Uma vez. Em Xangai, no primeiro Masters quando eu me classifiquei antes do último jogo do grupo. A vitória contra o Johansson não importava mais, mas eram 150 mil francos (moeda suíça). E eu pensava em quase todos os ralis: 150 mil francos! O que eu posso comprar? Tudo! Foi um inferno pensar em dinheiro a cada golpe...

4 - Você tem vergonha das lágrimas?
RF - Não. Foi talvez um pouco estranho. As câmeras gostam de focar bastante nas lágrimas. É bom mostrar emoções. Fique feliz por ter extravasado.

5 - O que você gostaria de ter de outros jogadores para ser perfeito. Não vale nada seu.
RF - Saque do Andy Roddick, backhand do David Nalbandian. O forehand do Rafael Nadal e as qualidades de lutar do Lleyton Hewitt. Não há tantos voleadores hoje, mas acho que se pudesse escolher teria sido do Stefan Edberg, atrick Rafter ou Tim Henman. E no lado mental, talvez de novo o Nadal. Isso não garante o sucesso, mas seria muito difícil de alguém vencer.

6 - Quem é indispensável para você como tenista?
RF - Eu poderia fazer quase tudo sozinho. Mas não tão profissionalmente e não tão bem. A pessoa que mais tempo passou comigo foi o Pierre Paganini. Ele foi muito importante no início da minha carreira.

7 - Como você passa um dia perfeito?
RF - Sem tênis. Com amigos, em casa ou com a Mirka na praia, nas Maldivas. Jantar romântico, talvez. Talvez num spa, massagens, pôr-do-sol, praia.

8 - Com quem, com exceção da sua mulher, você gostaria de ficar preso no elevador?
RF - Hmm, então provavelmente com minha mãe.

9 - Quem são seus melhores amigos?
RF - Reto Staubli. E aí caras como Yves Allegro, Marco Chiudinelli e Severin Luthi.

10 - Sua comida favorita?
RF - Eu poderia comer massas todos os dias. Gosto de japonês. Mas para mim, o número 1 é a comida suíça: Rosti, raclete, fondue.

11 - O que você não gosta de comer?
RF - Eu era vegetariano até os 16 anos. Aí fui numa "churrascaria" em 1998, durante a Copa Davis, com Marc Rosset. Quando disse que não comia carne, ele ficou surpreso. Aí ele pediu um pedaço de todas as carnes da casa. Eu comi, algumas gostei e então foi aí que começou. Na Tailândia, com a Mirka, experimentei peixes e frutos do mar. Agora como quase tudo. Como vegetariano, tive algumas experiências complicadas enquanto era juvenil.

12 - Qual a primeira coisa que faz quando acorda?
RF - Eu fico com a Mirka na cama. Depois me levanto, vou tomar banho, escovo os dentes e faço a barba.

13 - Seu maior defeito?
RF - Eu costumava estar sempre atrasado. Mas melhorei. E às vezes demoro para tomar decisões que poderia fazer no momento.

14 - O que você não gosta em geral?
RF - Pessoas sem educação.

15 - Existem pessoas que são má educadas com o Roger Federer? Quando foi a última vez que isso aconteceu?
RF - Quando joguei exibições na Ásia com o Pete Sampras, fomos convidados pelo Primeiro-Ministro da Tailândia. O homem que organizou isso disse que duraria meia hora, mas depois de duas horas ainda estávamos lá e o jantar estava sendo servido. Eu chamei a pessoa responsável, para reclamar que estava sendo um pouco chato tudo aquilo. Eu fiquei bastante nervoso. Ele não gostou nada e gritou comigo. Não foi nada legal.

16 - Qual foi o conselho mais estúpido que você recebeu na carreira?
RF - Houve algumas tentativas de análises de partidas, como as soluções contra o Nadal, em que cada golpe meu era mencionado. E também há pessoas que ligam às vezes, que escrevem, depois reclamam que eu não respondo.

17 - Você tem medo do que?
RF - Saltar de avião, bungee jumping, não preciso dessas coisas e não posso fazer nada disso.

18 - Dizem que 99% das pessoas conhecem Roger Federer (na Suíça). Você já encontrou com esse 1% restante?
RF - Acho que são as pessoas que não gostam de esporte ou pessoas que não sabem que a Suîça existe. Não me importo se não é 100% das pessoas que me conhecem.

19 - Quando foi a última vez que alguém te chamou de "Rogê" (pronúncia francesa) e não de "Roger" (pronúncia inglesa)?
RF - In Paris acontece 100.000 vezes. Mas agora menos, porque acho que ensinei bem as pessoas nos anos anteriores. Fui batizado assim e tenho esse meu lado da África do Sul de origem da minha mãe com
muito orgulho. Mas é engraçado quando as pessoas ainda me chamam assim.

20 - Quem alguém tão admirado admira?
RF - Outros esportistas. Como o Tiger Woods, ele é uma inspiração para mim. Antes o Michael Jordan, também o Valentino Rossi, que eu acompanho quando posso. Mas também músicos como o antigo cantor do Bush, que é um amigo. Fui em dois shows deles.

21 - O que você acha que estará fazendo em 20 anos?
RF - Vou estar cuidando da minha família, claro. Mas quero continuar trabalhando, não apenas ficar sentado. Embora não acha que poderei trabalhar com tênis. Também não posso me imaginar como um técnico ou um especialista da TV. Me vejo mais próximo de alguns patrocinadores e cuidando dos meus negócios, se eu os terei. Mas acho que estarei na Suíça, aproveitando a vida.

22 - Você será pai depois de Wimbledon. Você e a sua mulher já tiveram alguma aula preparatória para este evento?
RF - Não. Mas amigos estão dando conselhos, nos dando uma tonelada de livros e já andei lendo bastante. Mas o mais importante é bater papo e trocar experiências com pessoas que já passaram por isso. E nosso médico também nos dá uma boa força.

23 - Vocês já escolheram os nomes?
RF - Procuramos em livros de nomes, mas não decidimos ainda.

24 - Deve ser um menino?
RF - Eu nunca confirmei isso. Eu sei o sexo, mas não vou falar.

25 - Quando Barbara Becker estava grávida, Boris Becker disse que também se sentiu "grávido". Você está passando por isso?
RF - É definitivamente um período interessante da minha vida. É incrível o quanto passei a entender sobre gravidez, mas também sobre uma mulher e o que acontece com elas. Foi um período muito educativo.

26 - O fato de se tornar pai está ligado com o sentimento de antecipação ou com o de preocupação?
RF - Muitas preocupações também. Começam logo cedo, antes de enfim anunciar, quando os médicos ainda estão analisando tudo e antes de saber se existe algum perigo. Mas a responsabilidade que vem junto
é boa. Passamos por muitas coisas duras e tenho total convicção que seremos bons pais.

27 - Você a Mirka têm apelidos entre vocês?
RF - Sim, muitos. Mas é melhor não falar aqui.

28 - Fraldas descartáveis ou outros tipos?
RF - Descartáveis. Não sei muito mais, sei que elas não são tão boas para o meio ambiente. Mas espero reciclar tudo o que puder.

29 - Duas crianças ou família grande?
RF - Três, talvez quatro. Mais do que um, isso é certo. Mas por enquanto estamos concentrados neste primeiro.

30 - Stallone ou De Niro?
RF - Prefiro filmes de ação, então a resposta é fácil: Sylvester Stallone. Gosto também dos filmes do James Bond.

31 - Cerveja ou vinho?
RF - Vinho.

32 - Bicicleta ou patins?
RF - Bicicletas. Andei de patins umas duas vezes. Mas a última vez que andei de bicicleta foi depois de ganhar o torneio aqui e andei pela cidade, depois de um jantar na casa de um amigo. Foi bem legal.

33 - Harald Schmidt ou Stefan Raab (apresentadores de tv da Suíça)
RF - Gosto dos programas do Raab. Mas quase nunca tenho tempo de ver quando estou viajando.

34 - Sucrilhos ou cereais de mel?
RF - Cereais de mel, mas quando viajo como mais sucrilhos.

35 - Quando você está em casa: melhor cozinhar ou sair para jantar?
RF - Gosto de comer em casa. Mirka também gosta de cozinhar, eu não muito. Não sei o que fiz, mas sempre tive sorte de estar perto de bons cozinheiros: primeiro minha mãe, depois a Mirka.

36 - Você ajuda na hora de limpar e passar roupas?
RF - Passar aspirados eu não sei fazer direito.

37 - Eminem ou AC/DC?
RF - Prefiro rock. Principalmente quando estou em casa. Gosto de coisas pesadas como Metallica ou AC/DC.

38 - Barba feita no banho ou com barbeador elétrico?
RF - No banho. Tenho contrato com a Gilette, então tenho de estar sempre bem barbeado. Nos torneios, ganho um suplemento extra de lâminas.

39 - Jogos Olímpicos individual ou Copa Davis?
RF - Copa Davis. Já ganhei medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, nas duplas.

40 - O que me surpreende no Rafael Nadal é:
RF - Sua consistência no início da carreira.

41 - Treinar para mim é:
RF - Mais divertido do que era antes.

42 - Meu pior golpe é:
RF - Minha devolução de backhand. E gostaria de sempre poder jogar de forma agressiva.

43 - Meu parceiro dos sonhos nas duplas é:
RF - Martina Hingis. Joguei com ela e foi bem legal. E com a Mirka. Depois do meu título olímpico, claro, o Stanislas Wawrinka se tornou meu parceiro dos sonhos.

44 - Sua opinião sobre a postura do John McErnoe dentro da quadra.
RF - Muito engraçada. No meu início eu era engraçado também (risos).

45 - Se eu pudesse ser alguém diferente por um dia, eu seria...
RF - Um músico.

46 - Na pista de dança, eu danço...
RF - Não tão mal.

47 - Na escola, eu odiava...
RF - Odiar é um pouco forte. Mas não gostava de acordar cedo e fazer lição de casa.

48 - Na Basileia...
RF - Eu me sinto superbem.

49 - Eu sou interessado em política?
RF - Sim e não. Eu quase nunca estou aqui na Suíça. Então quase nunca voto. Mas segui as eleições nos EUA bem de perto.

50 - Wollerau (lugar de sua residência)
Muito bom e um compromisso. É no meio entre meus pais e os da Mirka.

51 - O que eu mudaria em mim mesmo...
RF - Não muitas coisas, ao menos não no tênis. Na minha vida privada, vou ter de mudar inevitavelmente quando tiver o bebê.

52 - Ser uma estrela mundial é...
RF - Mais positivo do que negativo.

53 - Se eu pudesse governar o mundo por um dia, eu gostaria de...
RF - Ter certeza que não existira tanta pobreza como temos hoje.

54 - Eu acredito ou não em Deus?
RF - Acredito.

55 - O que eu gostaria de ter escrito na minha tumba?
RF - Como eu espero viver por um bom tempo, prefiro não responder essa.

por Eloi às 14h56
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Imprensa suíça celebra feito de Federer com estilo….e humor

No Brasil, na França, na Inglaterra e na Espanha, Federer foi destaque neste final de semana. E imagina então na Suíça? Um amigo que mora em Lauzanne, na parte francesa, descreveu a situação: "Aqui foi uma grande festa. Todo mundo estava assistindo à final". E não poderia ser diferente. Com um time de futebol fraquinho, cabe a Federer num Grand Slam fazer às vezes de Seleção em Copa do Mundo. Que a festa comece e termine…após Wimbledon.

Na imprensa, a mesma situação. Cobertura extensa e destaque total para ele. Os dois grandes jornais da Suíça, um da parte alemã, outro da francesa, conseguiram boas entrevistas e se dividiram no estilo sério e engraçadinho. O Blick, à la "The Sun", trouxe duas "foto-charges" brincando com as diversas taças que o Federer teria e como ele as carregaria caso fosse mudar de casa. E até se perguntou: será que elas ficam no meio da cama entre ele e a Mirka?

m outra, trouxe novas ideias de comemoração de vitórias para o herói, baseando-se no estilo fanfarrão do Usaim Bolt. Nada mau. No lado mais sério, uma entrevista com os pais do Federer e uma grande declaração da mamãe. "Ele me deixa muito orgulhosa. E não só pelo tênis, mas pelo filho que é". Ela também contou sobre como tentou acalmá-lo após "todo mundo, inclusive os amigos, passarem a falar que este ano era sua grande chance".

Uma pressão que ele sentiu já contra o Haas nas oitavas, quando salvou break-point com bola na linha – que foi eleito por muitos como o ponto do título. Pressão que apenas um gigante como ele poderia lidar e superar.

No Le Matin, versão online, a entrevista foi com o próprio campeão, na segunda, logo depois da sessão de fotos na Torre Eiffel e no Arco do Triunfo. No "palacete" que ficou hospedade em uma das regiões mais chiques de Paris, ele recebeu apenas os jornalistas suíços. Que privilégio! E aí extratos da conversa. "Depois da vitória fiquei ainda um bom tempo no estádio e voltei umas 22h. Comemorei com umas 60 pessoas, amigos que vieram da Suíça. Bebemos champagne, ouvimos música e comemos. Nada absurdo, mas foi bom rever as pessoas que gosto. Estou cansado agora, acho que dormi umas 4h30 só".

Sobre os pais e a Mirka: "No vestiário tiramos algumas fotos, minha mãe estava contente e emocionada, a Mirka mais serena. Foi um momento bem legal e marcante. Meu pai, coitado, estava com febre e voltou para o hotel. Quando cheguei com a taça e mostrei para ele foi bem legal. Ele estava deitado ainda. E normalmente eles (organização) não deixam a gente sair com a taça, mas abriram uma exceção. Ainda é estranho vê-la ao meu lado".

Sobre mensagens que recebeu: "Tiger Woods, Pete Sampras tentaram me ligar. Ainda preciso ligar de volta. O Nadal não me mandou mensagens". No fim, ele ainda cita de novo o cansaço, que se confirmou com a desistência de Halle. Agora, a festa será certamente em casa, sem imprensa, sem perturbações. E é bom ressaltar: como ele gosta de falar! Seja em inglês, francês ou alemão. Vai descansar Federer!

Enquanto isso, na grama…
O Federer estava lá bebendo champagne, comemorando, e o Nadal passava por exames, outros estreavam na grama. É o circuito que não para nunca. Na Inglaterra, os jornais já trocaram de foco. Sai o saibro e entra em cena Wimbledon. O Times, com o Neil Harman, se preparou fazendo uma lista dos 20 maiores jogadores que passaram pela grama sagrada. E nada de empolgação pelos recordes deste domingo. Federer ficou em segundo, atrás do Sampras. A discussão vai longe.

por Eloi às 15h35
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Ele finalmente conseguiu: o mundo se curva ao gênio Federer

Foi um jogo menos emocionante do que o esperado. Talvez até pela chuva fina e insistente que esfriou o público. Mas o marasmo que tomou conta no primeiro set nas dependências de Roland Garros se transformou em ansiedade no terceiro. Federer então salvou um break-point no último game e conquistou o título, foi aplaudido de pé em todas as partes do complexo – até na quadra 1, com o imenso telão montado e seus 100 euros de ingresso na mão dos cambistas. E ele retirbuiu chorando, agora de alegria, e colocando seu nome na história: ele enfim é o campeão em Paris!

 

E não só isso: também está definitivamente entre os maiores de todos os tempos, agora como novo recordista de títulos de Grand Slam (14, ao lao de Sampras) e como um dos seis a ter vencido todos eles. Realmente algo incrível e merecido. Principalmente porque para a primeira marca, ele esperou apenas um torneio. A 13ª taça veio no US Open e o recorde primeiro escapou na Austrália. Mas na segunda, o trabalho foi bem feito e por isso tanta emoção e torcida para o suíço. Desde 2006 ele chegava à final em Paris, mas parava diante de Nadal. Ninguém por aqui aguentava mais.

 

Incrível também é ressaltar o poder de reação que ele teve para calar críticos e mostrar que não, não estava acabado como muitos quiseram afirmar. Ele conseguiu uma incrível reviravolta em seu tênis e exatamente no saibro, após sofrer com altos e baixos desde a derrota na Austrália. Em Madri, jogou muito tênis a partir da semifinal e, em Roland Garros, foi menos brilhante, mas foi experiente o suficiente e pôs seu nome em quadra em várias situações complicadas.

 

O que a imprensa mundial esperava aconteceu. Para os espanhóis – e para Nadal – hora de se curvar novamente ao domínio do suíço. Ele não está lá no topo do ranking, mas está no topo da história. E esperamos palavras bonitas vindas de lá também. Nadal saiu de cena e abriu a porta que Federer tanto esperava. E ele não vacilou.

 

E como disse o L’Equipe, nenhum torneio merece um melhor campeão. Federer mais do que nunca pertence aos grandes do saibro, como Nadal, Borg, Guga e outros. Roland Garros 2009 se fecha assim de maneira extraordinária. Com sorrisos no rosto e aquela impressão na torcida e nos jornalistas de que, pela primeira vez em muito tempo, o final era feliz. Foi o que ouvi bastante por aqui: que imparcialidade que nada. Queremos vê-lo ganhar.

 

Para o blogueiro, o torneio ficará marcado. Tanto para o Brasil, pelas grandes histórias até o último dia (de olho no Clezar) e pela importância de estar aqui. Seguimos de olho no que a imprensa falará e agora (porque não?), de olho no 15º Grand Slam, daqui a um mês, em Wimbledon. Será que o Federer com todo este moral será menos favorito por lá? Difícil de imaginar.

 

 

E às 13h15...

Enquanto escrevíamos e corríamos para contar os feitos, uma movimentação estranha tomou conta da sala de imprensa. Câmeras, luzes e....Roger Federer, em carne e osso, com a taça. Ainda de uniforme, ele passou aqui do nosso lado, recebeu aplausos tímidos - jornalista pode aplaudir? -, respondeu com um "Thanks" tímido e foi embora cercado de seguranças, fotógrafos e da televisão. Claro que daqui a pouco nós o veremos de novo na entrevista coletiva, mas essa passagem em local inabitual foi ainda mais curiosa.

por Eloi às 12h19
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Haja coração. Federer assustou, mas fez a festa da torcida.

Que sofrimento! Que jogo duro! Assim como na quadra, a tensão nos bastidores de Roland Garros seguiu em alta pelas quase 3h30 da segunda semifinal. Quem não via o jogo na quadra se juntava diante das televisões do centro de imprensa e assistia com um certo ar de tristeza e incredulidade. Afinal, Federer nem estava jogando mal. Era o Del Potro que estava endiabrado.

 

Com a chegada do quarto set as coisas começaram a entrar nos eixos. A torcida, que não chegou a lotar a Philippe Chatrier, passou a incentivar mais do que nunca e já pedia o fim rápido do jogo, por causa do medo e do frio que começava a ficar intenso. Del Potro baixou de intensidade, sentiu o nervosismo em alguns games estratégicos e Federer mostrou que a bagagem nessas horas faz toda a diferença.

 

E assim como nas quartas, de novo o derrotado deu aquele abraço caloroso no “mestre” ao final da partida. Era a “promessa” do próprio Del Potro, de torcer para o suíço, caso fosse derrotado. E o Soderling, será que pode impedir esse Grand Slam tão aguardado? Muitos lembraram da campanha do Verkerk em 2004, que tirou favoritos na base do saque e só parou....na final, contra o Ferrero. Que era favorito como o Federer é agora.

 

Aliás, desde 2006, quando chegou pela primeira vez na final por aqui, Federer não era tão favorito. Havia um guerreiro espanhol do outro lado que barrou seu sonho em todos estes anos. E por isso mesmo é que a França está ansiosa, quase desesperada para vê-lo levantar essa taça. Hoje, no L’Equipe, a matéria era boa e mostrava exatamente esta paixão local.

 

“Chateado pela dominação de Nadal e pouco inclinada a gostar de seu estilo de jogo bruto, ‘Roland’ adoooooooooora seu ‘Rodgeur’. Porque ele é o eterno maldito da quadra central, porque ele fala francês e porque seu estilo com a raquete em mãos é o que a França espera de um campeão. Isso tem de acabar. Nenhum torneio merece tanto um campeão como ele”. Bonito ou não?

 

Aliás, falando em L’Equipe e no outro assunto do dia, palmas também para a excelente entrevista com o Gasquet. Segundo eles, durou quase uma hora e ele falou quase tudo. Quase. Porque em certa hora, tamanha era a voracidade dos jornalistas, que ele pede para parar, que iria contar o resto apenas para a ITF. E negou veementemente, disse que nunca consumiu nada. Mas não conseguiu exatamente explicar como a droga teria então parado em seu corpo.

 

A história vai longe, mas ele diz ter bons álibis e vai pedir uma investigação completa da polícia, que deve investigar todos as pessoas que estavam na mesa da boite naquela fatídica noite. De qualquer jeito, o papel da mídia foi feito nesta semana. O L’Equipe mais uma vez mostrou a influência que tem por aqui.

por Eloi às 16h33
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Alguma dúvida? Todo mundo torceu para o Federer…até o franceses

 Federer levou até vaia no primeiro set ao discutir com o Lahyani uma bola duvidosa. A torcida empurrou o Monfils, mas no fundo, no fundo, todo mundo ali dentro da Philippe Chatrier estava com um sentimento bem defindo: será ótimo se o Monfils ganhasse, mas se perdesse, "Allez, Roger". Foi o que um jornalista francês falou para mim após o jogo: "Na narração, estava todo mundo fingindo que estava torcendo para o Monfils. Mas eu não estou nem aí. Quero ver o Federer campeão".

Na entrevista coletiva, hoje muito mais alegre e festiva até pela maneira que jogou, Federer enfim abriu o jogo. Tentou ser moderado, mas não negou que está contando nos dedos os jogos para o título. E disse sentir o apoio vir de todas as partes, mesmo da torcida em um jogo contra um francês, nas ruas, nos restaurantes. É a Federer-Mania invadindo Paris.

E será que nos bastidores ago estranho estaria sendo tramado? Algum favorecimento? Claro que não, mas o abraço do Monfils e as frases do Del Potro não negam que até mesmo os tenistas estão torcendo pelo suíço. O Delpo, claro, vai tentar ganhar. Não é bobo de entregar para um rival e perder a chance de ele escrever o nome na história. Mas se perder, disse que vai torcer para o Federer no domingo.

E enquanto os tops falavam com a imprensa e o público pegava suas malas e ia embora, um "gigante" marcava seu nome na primeira final de Roland Garros. Nas duplas mistas, Melo foi mesmo enorme e comandou a vitória ao lado da baixinha King. Devolveu bem, marcou todos seus saques – o que já acontece normalmente nas duplas com Sá – e fechou bem a rede.

Na entrevista, admito que nem esperava tal reação. Mas ele estava realmente feliz, surpreso e fez bastante elogios à King. Afinal, para uma tenista de 1,65 m sacar e fechar o jogo com o monstro do Mirnyi na devolução é preciso ser valente. Melo agora pode fechar com tudo uma participação até satisfatória do Brasil em Roland Garros. Foram 4 derrotas em simples, mas as quartas do Bruno e algumas boas histórias ao longo das duas semanas.

por Eloi às 20h47
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A pergunta que o francês se faz é: para quem torcer, Federer ou Monfils?

Com dois jogos "mornos" nesta terça-feira, o que seguiu dominando as atenções da mídia e da torcida em Roland Garros foi o duelo desta quarta entre Federer e Monfils. Promessa de muita emoção. A única certeza é que o público estará numa encruzilhada: o frances adora o Federer e torce por ele há anos. Mas do outro lado estará um francês. O que fazer?

A situação já foi vivida no ano passado, mas com a derrota do Nadal, ela ganha um ar de novidade. Parece que o mundo todo, até os jogadores, estão querendo que o Federer conquiste logo esse Grand Slam que falta. Mas será mesmo que esta ânsia seria capaz de dividir a torcida francesa na quadra central de Roland Garros? Estarei certamente observando de dentro e de fora para trazer detalhes.

No jogo do Murray já deu para ter uma pequena ideia do que pode acontecer. Em certas horas, o nome que se escutava nas arquibancadas era exatamente o de Federer. E olha que ele nem estava por perto. Aliás, a torcida protagonizou alguns momentos interessantes ao dar uma ligeira vaiada no Murray, o "inimigo" britânico, no início e ao ovacionar a Sharapova quando ela tentava inutilmente escapar do vexame.

Nos bastidores, a campanha de certa forma inesperada do Monfils ganharia as páginas de destaque do jornal de Roland Garros de amanhã, lembrando que ele só confirmou participação pouco antes da primeira rodada. A lesão no joelho - que o tirou de quase toda temporada de saibro e por pouco de outros meses inteiros – parece estar melhor e ele tem mostrado muita raça para compensar. É um exemplo que muito jogador deveria seguir ao jogar um torneio tão importante como Roland Garros.

Troféu Laranja e Limão
Por outro lado, outra prova de como Federer é bem visto por aqui. Ele ganhou de novo o prêmio Laranja, dado ao jogador mais "fair-play, mais gentil e simpático", como desataca o prêmio. Já o Limão, que tem como referência o "jogador com temperamento mais explosivo", foi para o Del Potro. Se fosse o Simão, daria para ele o troféu "Picolé de Chuchu", pela incrível empolgação e vivacidade que ele mostra nas entrevistas.

Tsonga faz festa
Em outras passagens do dia, o Tsonga foi a surpresa do dia no "Roland Garros na cidade". A iniciativa é de levar o tênis à população com a presença de ídolos, sessão de fotos e uma rápida exibição em uma pequena quadra montada na frente do "Hôtel de Ville", a prefeitura de Paris (não é um hotel, vejam bem). Ele perdeu, mas foi lá dar seu show e mostrar por que é tão querido.

Torneio de veteranos
Não vale para o circuito da ATP, mas o torneio de veteranos de Roland Garros também está estrelado. Neste ano, as novidades são as presenças de Thomas Muster e Yevgeny Kafelnikov, campeões em 95 e 96. Além deles, jogarão os "habitués" Bruguera, Ivanisevic, Nastase, Vilas, Forget, Wilander entre outros.

por Eloi às 16h46
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O enviado de Borg fez a alegria da torcida. E o Nadal não gostou.

As entrevistas do Nadal e do Soderling se desenvolveram, obviamente, num clima bem diferente neste domingo. Para o sueco, não faltaram “parabéns”, “bravos” e outros elogios rápidos antes de cada pergunta. Algo que, somado a uns “obrigados”, ele ainda deve ouvir bastante nos próximos dias. E também reinou o clima descontraído.

Ao ponto de um jornalista perguntar se ele seria um jogador “enviado à terra” por Bjorn Borg, para que o grande campeão pudesse salvar seu recorde de quatro títulos seguidos em Roland Garros. Soderling sorriu, entrou na brincadeira e disse que esperava ansioso por uma mensagem do compatriota para felicitá-lo. Talvez ele conte mais tarde se recebeu ou não.

Soderling também não escondeu ter vivido o seu maior momento da carreira aos 24 anos e, curiosamente, na primeira vez que venceu sete jogos seguidos. Sete! Isso porque o Nadal já tinha ganhado 81 seguidas no saibro, 31 em Roland Garros e por aí vai. Nas últimas semanas, ele foi bem na Copa das Nações, atropelou o Schuettler por 6/0 e 6/0, mas também havia engolido um vergonhoso 6/1 e 6/0 do próprio Nadal. Perdeu na hora certa.

O espanhol, aliás, foi até sereno, não caiu no choro como alguns poderiam esperar e confirmou o que já havia falado há algumas semanas, que estava preparado para perder em Roland Garros. Prova de que é um grande campeão. Só foi mal ao dizer que “facilitou” para o Soderling. Talvez um exagero visto a atuação impressionante e poderosa do sueco.

Em relação à torcida, fui ver o jogo na Praça dos Mosqueteiros porque queria comprovar a teoria de que o Nadal não é tão querido aqui. E foi barbada. A torcida foi aumentando, aumentando e a pobre espanhola que resistiu bravamente às provocações (talvez por não falar francês) saiu bem triste no final. Deu pena.

Na entrevista, assim como em todos os anos, ele mais uma vez foi perguntado sobre a reação dos franceses contra ele. Desta vez, ele não se segurou: “Estou acostumado ao ouvir os meus rivais serem aclamados. Mas é uma pena, porque é um torneio muito importante para mim e não entendo esse tipo de gesto do público comigo. Quem sabe um dia eles ainda vão mudar”. Talvez, mas o Nadal vai precisar fazer um curso intensivo de francês e falar fluentemente como o ídolo Federer.

Ainda nas entrevistas
Gosto sempre de trazer momentos das entrevistas para mostrar o “outro lado” do jogador. Se alguém ainda não sabe, o Tsonga, por exemplo, consegue falar inglês pior que o Nadal. E é realmente incrível: mesmo em Paris, para os jornalistas de seu país, ele precisa responder as primeiras perguntas da entrevista em inglês. Na segunda rodada, ele falou mal, sem nenhuma vontade três palavras e soltou: “Nossa, não quero falar inglês aqui”. Nem precisava dizer.

A Safina, até a terceira rodada, foi um fracasso de público. Haviam sempre uma meia dúzia de jornalistas interessados. Só hoje ganhou mais destaque, mas porque ganhou de uma francesa. E não quero nem entrar no mérito se ela merece ou não ser a número 1, mas em termos de carisma, ela mesmo nem se esforça: responde secamente, não se produz como a Ivanovic e quase não sorri. Já falei, para ser reconhecida, o que ela admitiu que quer, ela vai ter de ter mais jogo de cintura.

por Eloi às 17h49
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Bruno e Ullyett estão na fase boa do relacionamento. Vida longa a eles.

Depois das quatro derrotas em simples, veio a chave de duplas e o Brasil ficou por um fio em Roland Garros. Com Bruno Soares carregando a bandeira, esperamos que pelo menos por um bom tempo. Confesso que fiquei ligeiramente assustado com o início do jogo deles hoje. Não foi nada promissor. O Bruno estava nervoso e o Chardy encaixava bem suas bombas no saque.

Foi aí que ficou evidente a experiência e a importância do Ullyett. Ele conseguiu três grandes devoluções no 3/5, chamou o Bruno para o jogo e tudo começou a fluir melhor. Incrível a agilidade na rede do “vovozão” de 37 anos. Que aliás é um cara gente boa e parece ter sido contagiado pelo jeito descontraído do Bruno.

É evidente também que os dois estão “em paz”, como na boa parte de um relacionamento. E aí dá até para acreditar mesmo numa campanha mais longa e no que o Bruno disse: “Os resultados virão”.

O caso do Melo e do Sá é exatamente o oposto. Tem algo que não está legal. O jogo foi decepcionante, morno, com muito erros e eles por poucas vezes vibraram ou deram demonstração de que estavam jogando um Grand Slam. O Melo mesmo citou essa “falta de motivação”, sem explicação aparente. Afinal, vinham de um título.

E falou também sobre como é o estilo dos dois. Reproduzo exatamente o que ele disse: “Eu seria mais responsável pela parte mental, mas com umas derrotas deste ano, às vezes fica difícil puxar os dois”. Disse a mesma coisa em relação ao Sá puxar os dois pela experiência e que este estilo de completava e era o “ponto forte” da  dupla.

E só para citar, o Bellucci e o João Zwetsch estiveram no dois jogos de hoje. Ele deve estar aproveitando a estrutura de Roland Garros para cuidar do físico que o deixou na mão na estreia antes de partir para os challengers.

Em relação ao Nadal, ele massacrou. E saiu correndo para a entrevista coletiva, ainda suado e nada parecido com o Tsonga e sua gravatinha. Os comentários é de que ele estaria com pressa para ver a final da Copa dos Campeões de futebol, para tentar secar o Barcelona. Deve ter visto sim o show dos rivais do Real Madri e encerrado o dia menos feliz.

por Eloi às 19h45
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